por Marcelo Palomino
Autocosmos.com/Chile
Exclusivo no Brasil para Auto Press
Em volume de vendas, o Série 1 é um modelo importante para a BMW, com 1,3 milhão de unidades vendidas em suas três primeiras gerações. A terceira, F40, que está saindo de cena aos poucos desde meados de 2024 (no Brasil, ela ainda está à venda), foi recebida em 2019com uma certa decepção pelos apreciadores da marca. Ela trouxe uma mudança dramática: abandonou a plataforma de tração traseira, mais cara, quando trocou a arquitetura L7 pela UKL2, de tração dianteira, compartilhada com o Mini. Isso gerou um feedback muito negativo. As rejeições até diminuíram à medida que o novo Série 1 comprovou na prática que era tão bom quanto o anterior. De qualquer forma, a terceira geração teve apenas cinco anos de vida, curta para os padrões da indústria.
A quarta geração do Série 1, chamada de F70, marca os 20 anos da criação da linha e, a rigor, apresenta uma forte evolução em relação à F40. A BMW tentou aqui corrigir todos os aspectos mais criticados do modelo, como um redesenho do visual externo, a melhora da usabilidade do sistema de infoentretenimento e a minimização da sensação um tanto artificial da direção. A versão que chega agora ao Chile é a 118, a mesma que será importada para o Brasil, possivelmente ainda no primeiro semestre. Trata-se de uma versão intermediária entre as 116 e 120 vendidas na Europa, que têm respectivamente 122 cv e 170 cv, contra os 140 cv da versão 118. Em relação ao preço, não deve ficar muito distante dos atuais e abusivos R$ 320.950 pedidos pelo modelo que está de saída.
Por fora, o novo Série 1 manteve uma silhueta esportiva característica, com seu capô longo em relação ao corpo e a traseira com uma inclinação que oferece a sensação de ser uma perua mais curta. Nas laterais, a musculatura com três nervuras laterais dá um certo dinamismo ao modelo. Como usa a mesma base da F40, quase não há diferenças de tamanho – ganhou 4,2 cm no comprimento e 2,5 cm na altura. As dimensões são 4,36 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,46 m de altura e 2,67 metros de entre-eixos. O porta-malas comporta 380 litros de volume do porta-malas.
O Série 1 apresenta uma dianteira mais plana e mais baixa, com uma grade mais larga e novas aletas verticais e diagonais no interior, que dão uma sensação de maior largura. Os faróis também foram redesenhados, com elementos led em forma de bumerangue. Trata-se de um Série 1 bastante clássico e bem acabado. O pacote M, que provavelmente também será oferecido no Brasil, traz rodas aro 18 e em elementos aerodinâmicos em acrílico preto brilhante.
Um ponto que chama a atenção é que a diferença de qualidade entre um Série 1 e modelos maiores da marca foi reduzida de forma substancial nessa nova geração do compacto. Os materiais utilizados não ficam muito a dever em relação a um Série 5, por exemplo. Isso é perceptível nos acabamentos e na impressão de solidez construtiva. Também na proposta de valor, com um pacote muito completo de elementos de conforto, segurança e conectividade disponíveis a partir da versão de entrada.
O mais inovador do interior está no painel, sem comandos físicos disponíveis para climatização e no redesenho dos ventiladores. Os únicos botões ficam no volante multifuncional e nas hastes da coluna de direção. A ideia é que tudo seja mais limpo e minimalista. Quase tudo é operado a partir da tela central de 10,7 polegadas, que forma um console conjunto curvo com o cluster de instrumentos digital de 10,25 polegadas. O sistema operacional BMW iDrive 9.0, o mais recente usado pela marca, que é mais rápido e com uma interface mais intuitiva do que antes.
A tela mostra uma barra de atalhos com controle climático, Menu Principal e aplicativos. Os comandos de voz também foram aprimorados e estão mais simples e diretos. A central multimídia tem compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto sem cabo. A cabine é muito espaçosa e confortável, mas nada que não tenha origem na versão F40. Os bancos dianteiros são confortáveis, mesmo os esportivos da 118 M Sport, que são esportivos e oferecem bom apoio lateral. Para os bancos traseiros há bons acessos e acomodam confortavelmente dois adultos. Um terceiro será penalizado pela dureza do assento central. Um detalhe nesta geração é o aumento do uso de materiais reciclados, incluindo um estofamento criado a partir de plástico PET, enquanto o couro sintético, chamado de Venganza, é feito também de plástico reciclado.
Impressões ao dirigir
Sobre trilhos
A versão mais provável para o Brasil é a mesma que chegou ao Chile, a 118 M. Ela traz o mesmo motor turbo de três cilindros de 1.5 litro twinpower, mas agora com 156 cv em vez dos 140 cv da geração vendida atualmente no Brasil. Ele é gerenciado por uma caixa automática de dupla embreagem de sete marchas com tração dianteira. Nessa renovação, a BMW afirma ter feito alterações no chassi para aumentar a rigidez estrutural e revisou elementos na direção, barras estabilizadoras e suspensão, introduzindo novos amortecedores sensíveis à frequência que ajudam a eliminar saltos e melhorar a rolagem da carroceria.
O Série 1 sempre pareceu um pequeno carro esportivo, com ótima resposta do acelerador, chassi equilibrado, equilíbrio nas curvas e ótimo comportamento no asfalto. Mesmo na versão básica, que não oferece uma potência tão alta. O ponto central aqui está no trabalho no chassi, que permite manusear o veículo com conforto no dia-a-dia ou explorar sua esportividade e desfrutar da boa direção dinâmica. É preciso abusar muito para sentir que o modelo saindo dos trilhos, pois a sensação dominante é de ter uma aderência muito alta, rolagem mínima da carroceria e o muito equilíbrio.
O 118 M é ágil, animado, emocional, com uma direção rápida, responsiva e muito sensível ao que é exigido. Além disso, tem um ótimo feedback sobre o que está acontecendo sob as rodas. Os freios são bons, com boa sensação no pedal. O motor quase não produz vibrações, apesar de ser um três-cilindros. A aceleração é boa, embora haja algum turbolag inicial. Impressão que some no modo de condução Sport, que parece ter sido o ponto de partida para o mapeamento do propulsor.