por Geraldo Bessa TV Press
Com nove livros publicados e tendo sua obra traduzida para mais de 20 idiomas, Raphael Montes poderia muito bem viver confortavelmente com o ofício de escritor. Porém, a paixão pelo audiovisual falou mais alto e, paralelamente, ele também acabou desenvolvendo uma faceta roteirista. Depois do êxito de “Bom Dia, Verônica” na Netflix, o passo seguinte de Montes foi se tornar novelista em “Beleza Fatal”, trama recém-lançada pela Max. “Sempre fui noveleiro e o sonho de criar um folhetim sempre esteve comigo. Quando essa hora chegou, reuni tudo o que eu gosto e me influencia para fazer uma novela que gostaria de assistir”, explica.
Natural do Rio de Janeiro, Montes começou a criar suas primeiras histórias ainda nos tempos de colégio. Fortemente inspirado por nomes da literatura investigativa e policial, como Arthur Conan Doyle, Agatha Christie, Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza, ele lançou seu primeiro livro, “Suicidas”, em 2012. A estreia na tevê foi como roteirista de “Romance Policial: Espinoza”, série exibida pelo GNT em 2015. No mesmo ano, ele trabalhou como colaborador de “A Regra do Jogo”, da Globo. Com apenas 40 capítulos, Montes não tem a pretensão de subverter as bases do gênero com “Beleza Fatal”, mas quer fazer as coisas do seu jeito. “Vingança é uma trama clássica. Em uma novela normal, o autor fica 200 capítulos no ‘eu vou me vingar, eu vou me vingar’. Com menos capítulos, eu posso criar de forma mais objetiva, mantendo a qualidade do texto”, entrega.
P – Você tem uma carreira celebrada na literatura e começou a chamar a atenção do streaming por conta de suas obras. Como surgiu a vontade de escrever uma novela? R – Antes de pensar em escrever qualquer coisa, eu já era noveleiro. Nasci em 1990, acompanhei todas as grandes novelas da época e sempre fui um grande curioso da teledramaturgia. Lembro de fantasiar com a carreira de novelista ao ver nas chamadas “Uma novela de Gloria Perez” ou “Uma obra de Silvio de Abreu”. Para mim, eram quase seres míticos. Um dia a Monica Albuquerque (diretora de talentos da Max à época) me liga e fala: “Você não queria fazer novela? Chegou a vez. Eu preciso de uma sinopse em uma semana”.
P – Você já tinha algo em mente? R – Eu tinha algumas ideias, mas precisava organizar tudo para poder apresentar algo decente. Misturei coisas que eu gosto. Thriller dos anos 1990, uma pegada de novela clássica e a abordagem de assuntos atuais. Apresentei a sinopse e dois dias depois estava aprovada.
P – Como foi ter Silvio de Abreu, um de seus ídolos da teledramaturgia, como supervisor? R – Eu brinco que foi meu mestrado e doutorado em fazer novela. Apresentei ideias e ele entrou com a experiência dele no gênero. Com o tempo, a gente estabeleceu um diálogo interessante. Ele entendeu que ao mesmo tempo em que eu queria fazer uma novela clássica, também tinha o objetivo de cutucar e provocar coisas diferentes. Meu critério era o Silvio. Quanto mais eu provocava, mais ele gostava. Isso foi em uma espécie de crescente.
P – Como foi seu envolvimento na escalação do elenco? R – A Camila Pitanga está desde o início do projeto. Tudo foi feito em comum acordo com a direção da Max, Silvio, Maria de Médices (diretora) e profissionais que estavam disponíveis no mercado. Temos um elenco dos sonhos, Maria me ligava e eu não conseguia acreditar que nomes como a Giovanna Antonelli, Caio Blat e Marcelo Serrado tinham topado entrar na novela. A escalação mais complicada de conseguir foi a da Camila (Queiroz).
P – Por quê? R – A gente queria muito ela como Sofia, mas ela estava terminando de gravar uma novela na Globo e a gente precisava começar os trabalhos de “Beleza Fatal”. Fiquei sabendo que ela adorou a série “Bom Dia, Veronica” e que gosta dos meus livros. Então, a missão de convencê-la ficou comigo. Marcamos um jantar com o objetivo de fazer a Camila postergar as férias e aceitar a loucura de mudar o cabelo no domingo e começar a gravar na segunda. Deu certo!
“Beleza Fatal” – Max – cinco novos capítulos às segundas. Estreia na Band em 27 de janeiro.