Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2025

Caderno B Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2025, 09:35 - A | A

21 de Fevereiro de 2025, 09h:35 - A | A

Caderno B / CINCO PERGUNTAS

Viramundo investigativo

Com equipes mais compactas e visitando lugares de difícil acesso, Caco Barcellos celebra nova temporada do “Profissão Repórter”



por Geraldo Bessa TV Press                

A rua é a grande fonte de inspiração do trabalho de Caco Barcellos. É entre becos, vielas e grandes avenidas que o jornalista, do alto de seus 74 anos, se mantém firme à frente do premiado “Profissão Repórter”, que acaba de estrear sua temporada 2025 na grade da Globo. “São 19 temporadas. É bonito acompanhar o desenvolvimento do programa e como ele é importante dentro da estrutura jornalística da emissora. Nossa missão segue sendo a de dar voz ao brasileiro comum, sempre tentando mostrar as consequências das ações do sistema na vida dessas pessoas”, conceitua. O jornalista está empolgado com o Projeto Mochilão, grande novidade dos novos episódios, que tem como objetivo chegar a lugares ainda mais longínquos e de difícil acesso. “Cada equipe de reportagem, que antes tinha três pessoas, agora tem duas. Estamos simplificando as coisas para que o transporte não seja um agente limitador. Essa mochila nas costas nos permite ir aonde não se vai de carro e muito menos de avião”, ressalta.                

Gaúcho de Porto Alegre, Caco passou por redações de revistas como “Veja” e “IstoÉ” antes de investir na tevê e se fixar na Globo. Na emissora desde 1982, foi correspondente internacional na França e na Inglaterra, e garantiu espaço para suas reportagens nos principais jornalísticos da emissora. Em 2006, já de volta ao Brasil de modo permanente, viu uma de suas ideias mais frutíferas, o documental “Profissão Repórter”, deixar de ser quadro do “Fantástico” para ganhar vida própria na grade de programação. Ao longo de quase 20 anos, Caco se orgulha da história da produção, que se mantém relevante ao investir em novos talentos e nos diferentes lados da mesma notícia. “Renovação é fundamental. Eu mesmo faço as entrevistas com cada candidato, preciso ver o brilho nos olhos e a disposição para encarar as ruas. O jornalismo que fazemos beira o romântico, é necessário ter essa paixão para integrar o programa”, valoriza.

P – O “Profissão Repórter” acaba de estrear sua 19ª temporada. Como manter a relevância do programa depois de tanto tempo na grade? R – Eu e a equipe entendemos que o programa é complementar ao que faz o jornalismo da Globo. Os jornais tradicionais cobrem pautas como política, economia, cultura e esporte de maneira mais focada na notícia. O “Profissão Repórter” corre atrás dos desdobramentos. Tentando identificar as consequências dos atos na sociedade, como cada ação de poder chega ao povo. Nossa fonte mais importante é a pessoa comum.

P – Como essa conexão foi estabelecida ao longo dos anos? R – Dando voz a essas pessoas. Nossas fontes são os trabalhadores, os jovens, as famílias. A gente sempre esteve perto deles e isso acabou nos dando um bom trânsito nas mais diferentes esferas da sociedade. A gente pratica o jornalismo de imersão. Então, embora seja essencial, para a gente, é muito pouco uma entrevista.

P – Em que sentido? R – A gente sempre pede para que, em vez de contar a história de vida, é melhor os personagens mostrarem suas histórias, em como as trajetórias são consequências de uma determinada decisão governamental, empresarial. É por isso que estamos sempre nas ruas, a rua é a nossa redação. O Projeto Mochilão é uma intensificação dessa nossa postura.

P – A ideia é ir para lugares ainda mais remotos? R – A gente já vai bem longe. Mas agora a ideia é chegar em lugares não apenas distantes, mas de difícil acesso. Nas últimas temporadas, investimos em um motorhome, que deu muita mobilidade para as reportagens. Agora, diminuímos a equipe para apenas dois profissionais.

P – Na prática, o que muda na confecção das reportagens? R – A gente embarca de forma mais leve e concisa, de acordo com as necessidades da pauta. Acho interessante a figura de uma dupla formada por repórter e cinegrafista. O jornalismo passa pela ação dessa dupla na sua essência. Nossa premissa básica de contar histórias reais segue intacta. Não somos um programa de investigação, mas temos a missão de provar que cada palavra dita é verdadeira.  

Profissão Repórter” - Globo - terças, às 23h50.

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